Hospitais públicos brasileiros apresentam maior risco de morte no tratamento da sepse do que instituições particulares

No Brasil, as taxas de mortalidade relacionada com a sepse são superiores a outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Além disso, pacientes de hospitais públicos têm o risco de morrer 30% maior que pessoas internadas em instituições de saúde particulares. Motivos: demora para receber o diagnóstico e tratamento inadequado da sepse, que é a principal causa de morte em UTIs.

 

Em 2010, um estudo do Instituto Latino-Americano da Sepse (Ilas), em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi divulgado. A pesquisa avaliou 396 pacientes com sepse grave e choque séptico internados em 18 instituições de saúde do país – 9 hospitais públicos; 9 privados. A intenção do trabalho foi avaliar os fatores que levavam à mortalidade de pacientes sépticos.

Entre os dados analisados, os pesquisadores observaram o cumprimento das diretrizes de tratamento e o tempo desde o início da disfunção orgânica e o diagnóstico de sepse pela equipe médica. Nos hospitais públicos, os pacientes eram mais jovens, apresentavam maior número de órgãos disfuncionais na linha de base e menor chance de ter a sepse diagnosticada em duas horas.

Em números, os pacientes dos hospitais públicos esperaram, em média, seis horas pelo diagnóstico. Em 24% dos casos a sepse foi identificada na primeira hora. Nos hospitais privados, o tempo de espera foi de três horas e em 39% dos casos o diagnóstico da doença ocorreu em menos de uma hora. A demora no diagnóstico foi associada com a mortalidade somente no ambiente público.

Pesquisas mundiais evidenciam que a detecção precoce é fundamental para a recuperação do paciente diagnosticado com sepse. A cada hora que se perde, as chances de sobrevivência caem 8%. Após seis horas, o risco de morte se multiplica por dez. Portanto, as primeiras horas são decisivas para determinar o curso da doença. Rapidez no reconhecimento e diagnóstico da sepse é crucial.

Fonte: Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul - www.sotirgs.com.br